3º ano - 2013
"O futuro pertence àqueles que acreditam na beleza de seus sonhos." Eleanor Roosevelt
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
domingo, 9 de setembro de 2012
Modernismo 2ª Fase
Modernismo no Brasil – Segunda Fase (Prosa)
PORTUGUÊS — ESCRITO POR ENEM VIRTUAL ON AUGUST 12, 2011 AT 7:15 AM
AUTORES
A prosa da 2ª fase modernista caracteriza-se pelo regionalismo, pela relação do homem com o meio em que vive.
A Literatura Brasileira já apresentava uma tendência regionalista.
A prosa da 2ª fase modernista caracteriza-se pelo regionalismo, pela relação do homem com o meio em que vive.
A Literatura Brasileira já apresentava uma tendência regionalista.
Desde o Romantismo, a busca de traços particulares da realidade brasileira já estava presente em algumas obras, entretanto, neste período, a partir das conquistas da primeira fase modernista e das idéias socialistas, os autores dão um novo tom a esse regionalismo. O livro A bagaceira de José Américo é considerado o primeiro romance regionalista do Modernismo. Mas seu valor deve-se mais à temática histórica da seca, dos retirantes e ao aspecto social do que aos aspectos literários.
Veja os principais autores da prosa dessa segunda fase:
Veja os principais autores da prosa dessa segunda fase:
2ª FASE MODERNISTA (1930-1945) PROSA:
* Raquel de Queirós
* Graciliano Ramos
* Jorge Amado
* Érico Veríssimo
* José Lins do Rego
* Raquel de Queirós
* Graciliano Ramos
* Jorge Amado
* Érico Veríssimo
* José Lins do Rego
Quase todos esses autores voltaram-se basicamente para os temas do Nordeste, como a seca, o cangaço e o ciclo açucareiro.
Com exceção de Érico Veríssimo que apresentou uma obra voltada para as relações do homem e a paisagem do Sul do Brasil.
Veja a imagem da representante feminina da prosa dessa 2ª fase: Raquel de Queirós foi a primeira mulher a se “eleger imortal” na Academia Brasileira de Letras. Suas obras regionalistas destacam-se pela reflexão sobre a figura feminina numa sociedade patriarcal.
Em seu livro O quinze, conta a história da luta de um povo contra a seca e a miséria, tema marcante da prosa modernista da segunda geração. A força da mulher nordestina também é tratada em toda suaobra. Entre as suas figuras femininas destacam-se: Conceição em O quinze e Maria Bonita em O Lampião.
Veja a imagem de Graciliano Ramos, outro importante autor desse momento:
Graciliano Ramos é considerado pela crítica literária o melhor ficcionista dessa segunda fase.
Sua obra é marcada pela ausência de sentimentalismo e por um forte poder de síntese, refletida na linguagem direta e precisa.
Entre seus livros destacam-se Memórias do Cárcere e São Bernardo.
Sua obra é marcada pela ausência de sentimentalismo e por um forte poder de síntese, refletida na linguagem direta e precisa.
Entre seus livros destacam-se Memórias do Cárcere e São Bernardo.
Memórias do Cárcere é uma narrativa autobiográfica que analisa as atrocidades cometidas pela Ditadura Vargas. Por suas ligações com o partido comunista Graciliano Ramos foi realmente preso durante um ano. Em São Bernardo, Graciliano Ramos ao contar a história de Paulo Honório, rico proprietário da fazenda São Bernardo, que se casa com a professora Madalena, personagem fortemente influenciada por idéias progressistas, faz uma reflexão sobre o processo de coisificação do ser humano, (“muitas vezes mais preocupado com o ter e do que com o ser”).
Mas é com outro livro que Graciliano Ramos alcança maior notoriedade. Veja as próximas imagens:Menino Morto, de Cândido Portinari.
Família de Retirantes, de Cândido Portinari. Menino Morto e Família de Retirantes apresentam o tema central de Vidas Secas – grande livro de Graciliano Ramos. Vidas Secas é um romance que narra a história de uma família de retirantes que abandona sua terra atingida por uma forte seca. A família é formada por Sinhá Vitória, a mãe; Fabiano, o pai; seus dois filhos, denominados apenas como menino mais velho e menino mais novo e os animais: o papagaio e a cachorra Baleia.Veja um fragmento de Vidas Secas em que a família inicia a viagem em busca de uma vida melhor:
“A caatinga estendia-se, de um vermelho indeciso salpicado de manchas brancas que eram ossadas. O vôo negro dos urubus fazia círculos altos em redor dos bichos moribundos. – Anda, excomungado.
O pirralho não se mexeu, e Fabiano desejou matá-lo. Tinha o coração grosso, queria responsabilizar alguém pela sua desgraça. A seca aparecia-lhe como um fato necessário – e a obstinação da criança irritava-o. Certamente esse obstáculo miúdo não era culpado, mas dificultava a marcha, e o vaqueiro precisava chegar, não sabia onde. (…)
Pelo espírito atribulado do sertanejo passou a idéia de abandonar o filho naquele descampado. Pensou nos urubus, nas ossadas, coçou a barba ruiva e suja, irresoluto, examinou os arredores. Sinhá Vitória estirou o beiço indicando vagamente uma direção e afirmou com alguns sons guturais que estavam perto. Fabiano meteu a faca na bainha, guardou-a no cinturão, acocorou-se, pegou no pulso do menino, que se encolhia, os joelhos encostados no estômago, frio como um defunto.
Aí a cólera desapareceu e Fabiano teve pena. Impossível abandonar o anjinho aos bichos do mato. Entregou a espingarda a Sinhá Vitória, pôs o filho no cangote, levantou-se, agarrou os bracinhos que caíam sobre o peito, moles, finos como cambitos. Sinhá Vitória aprovou esse arranjo, lançou de novo a interjeição gutural, designou os juazeiros invisíveis.
E a viagem prosseguiu, mais lenta, mais arrastada, num silêncio grande”.
E a viagem prosseguiu, mais lenta, mais arrastada, num silêncio grande”.
Graciliano Ramos
A secura do ambiente e a dureza da vida aos poucos iam embrutecendo as personagens.
A secura do ambiente e a dureza da vida aos poucos iam embrutecendo as personagens.
Veja outro importante nome dessa fase:
Jorge Amado é talvez um dos autores mais conhecidos pelo público jovem. Isto porque, muitos de seus livros foram adaptados para a TV e o cinema. E ainda hoje, é um dos escritores brasileiros que mais vendeu livros.
Seus livros traçam um verdadeiro e completo quadro do povo brasileiro, em especial do povo baiano. A linguagem simples, marcada por expressões populares, a preocupação com os costumes e as tradições populares e o bom humor fizeram de Jorge Amado um dos mais queridos escritores brasileiros.
Sua vasta produção é comumente dividida em função da temática.
Sua vasta produção é comumente dividida em função da temática.
Assim encontramos:
DIVISÃO TEMÁTICA DA OBRA DE JORGE AMADO
* Romances da Bahia
* Romances ligados ao ciclo do cacau
* Crônicas de costumes
* Romances da Bahia
* Romances ligados ao ciclo do cacau
* Crônicas de costumes
Romances da Bahia= Que retratam a vida das classes oprimidas na urbana Salvador. São livros de denúncia das desigualdades sociais.
Entre eles destaca-se: Capitães da Areia.
Entre eles destaca-se: Capitães da Areia.
Romances ligados ao ciclo do cacau= Que retratam a exploração dos trabalhadores rurais, pela economia latifundiária no Nordeste. Segundoo próprio Jorge Amado, foi a luta do cacau que o tornou romancista.
Entre esses romances destacam-se: Cacau e Terras do Sem Fim.
Entre esses romances destacam-se: Cacau e Terras do Sem Fim.
Crônicas de costumes= Que partem dos cenários do agreste e da zona cacaueira para uma reflexão sobre a vida, os amores e os costumes da sociedade. São desse ciclo as conhecidíssimas figuras femininas de Jorge Amado, como Gabriela, cravo e canela; Dona Flor e seus dois maridos, Tieta do Agreste e Teresa Batista cansada de guerra.
Érico Veríssimo é o grande representante da região Sul do Brasil nessa segunda fase. E assim como Jorge Amado, também foi muito querido pelo público leitor.
Sua obra é freqüentemente dividida em romances urbanos, históricos e políticos. Em seus romances urbanos analisa os conflitos e os valores de uma sociedade em crise. Entre os principais livros dessa categoria estão: Clarissa e Olhai os lírios do campo. A sua grande obra prima é a trilogia histórica O tempo e o vento, que narra a disputa pelo poder político entre importantes famílias na região Sul. Entre as personagens principais estão Ana Terra e Rodrigo Cambará.
O livro Incidente em Antares, é um romance político em que Érico Veríssimo explora o absurdo e o fantástico. Num dado momento do romance os coveiros da cidade entram em greve e os mortos por sua vez, resolvem ressuscitar e denunciar a corrupção e a podridão moral existente na cidade. Ocorre uma fusão entre o plano real e o imaginário.
E para concluirmos a aula, veja a imagem de José Lins do Rego:José Lins do Rego, à direita sem chapéu e de óculos, foi um apaixonado por futebol, nessa foto, tirada no Maracanã, ele assistia ao jogo do seu time predileto, o Flamengo do Rio de Janeiro.
José Lins do Rego foi um autor muito identificado com os costumes do povo e sua obra pautou-se fundamentalmente nas recordações de um menino que conviveu com as fazendas produtoras de cana. Seus principais temas são: da decadência dos engenhos produtores de açúcar e da estrutura patriarcal, as disputas políticas na região nordeste e o cangaço. Entre seus livros destacam-se: Menino de Engenho e Fogo Morto.
Veja um fragmento do livro Menino de engenho:
“Coitado do Santa Fé! Já o conheci de fogo morto. E nada é mais triste do que engenho de fogo morto. Uma desolação de fim de vida, de ruína, que dá à paisagem rural uma melancolia de cemitério abandonado. Na bagaceira, crescendo, o mata-pasto de cobrir gente, o melão entrando pelas fornalhas, os moradores fugindo para outros engenhos, tudo deixado para um canto, e até os bois de carro vendidos para dar de comer aos seus donos. Ao lado da prosperidade e da riqueza do meu avô, eu vira ruir, até no prestígio de sua autoridade, aquele simpático velhinho que era o Coronel Lula de Holanda, com seu Santa Fé caindo aos pedaços (…)”
“Coitado do Santa Fé! Já o conheci de fogo morto. E nada é mais triste do que engenho de fogo morto. Uma desolação de fim de vida, de ruína, que dá à paisagem rural uma melancolia de cemitério abandonado. Na bagaceira, crescendo, o mata-pasto de cobrir gente, o melão entrando pelas fornalhas, os moradores fugindo para outros engenhos, tudo deixado para um canto, e até os bois de carro vendidos para dar de comer aos seus donos. Ao lado da prosperidade e da riqueza do meu avô, eu vira ruir, até no prestígio de sua autoridade, aquele simpático velhinho que era o Coronel Lula de Holanda, com seu Santa Fé caindo aos pedaços (…)”
sábado, 25 de agosto de 2012
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
O PARÁGRAFO
O PARÁGRAFO DISSERTATIVO
I – O Parágrafo
Os parágrafos são como “prateleiras” que dividem uma seqüência de informações ou pensamentos. Servem para facilitar a compreensão e a leitura do texto, dar folga ao leitor, que acompanha, passo a passo, a linha de raciocínio desenvolvida pelo escritor. O texto sem parágrafo é indigesto. Ler um livro sem parágrafos é um processo cansativo, tedioso e de difícil compreensão.
Até a Idade Média, os textos eram escritos sem ponto, vírgula, ponto-e-vírgula, letras maiúsculas ou parágrafos. A dificuldade na leitura obrigou a criação desses instrumentos de divisão.
Parágrafo e texto
Em relação à obra escrita, os parágrafos representam parcelas ou blocos relacionados, progressivamente, uns com os outros, isto é, eles são dinâmicos e avançam logicamente numa determinada direção, desde o parágrafo introdutório até o último parágrafo, cada um dependendo do outro. Não se tratam, pois, de divisões estáticas, mas progressivas, onde o parágrafo seguinte mantém determinada relação com o parágrafo anterior, cada um com a idéia central ao redor da qual giram outras idéias secundárias. E o instrumento que serve para dividir o texto em parágrafos é um determinado critério lógico; conforme o critério lógico adotado, o trabalho escrito terá muitos ou poucos parágrafos, longos, curtos ou médios.
Estrutura interna do parágrafo
Em relação à estrutura interna, o parágrafo é um grupo de períodos relacionados uns com os outros e governados por uma idéia central, formando uma seqüência unida, coerente e consistente de idéias associadas entre si. O conceito de parágrafo possui dois princípios:
1) Todas as idéias devem estar organizadas e concentradas ao redor de uma idéia central para formar um raciocínio.
2) Cada parágrafo deve se relacionar com o parágrafo anterior. O primeiro parágrafo apresenta o raciocínio geral, com uma idéia principal e introdutória; o segundo parágrafo relaciona-se com o primeiro, o terceiro relaciona-se com o segundo, numa cadeia de raciocínios. O último parágrafo fecha o ciclo de raciocínios e constitui a conclusão. O entrelaçamento de um parágrafo com outro, ou a ligação de um raciocínio com outro, dá coesão ao texto.
Há vários tipos de parágrafo. Além do parágrafo introdutório e do conclusivo, há o parágrafo expositivo e argumentativo (próprio da dissertação), descritivo (próprio da descrição) e narrativo (próprio da narração), os quais podem se subdividir para definir um termo, fazer comparação, contar anedota, eliminar alternativas, apresentar causa e efeito, classificar, dividir...
O número de parágrafos existentes no texto depende do tamanho do texto. O texto pequeno deve conter poucos parágrafos, o texto longo deve conter muitos parágrafos. O tamanho do parágrafo varia de acordo com as circunstâncias: um texto é formado por parágrafos curtos, longos ou intermediários, dependendo da idéia central desenvolvida pelo escritor, da audiência do escritor (os leitores) e do veículo onde vai ser publicado o texto.
II – O parágrafo padrão
Há várias maneiras de se organizar um parágrafo (unidade de pensamento), contudo o parágrafo padronizado apresenta as seguintes partes principais: tópico frasal, desenvolvimento e conclusão (opcional).
O escritor deve apresentar a idéia central (normalmente por intermédio de um período) e construir idéias secundárias (por intermédio de outros períodos) orientadas para a idéia central, de modo a formar um raciocínio completo.
Veja o parágrafo abaixo e perceba sua organização:
A educação é o caminho mais eficiente para a justiça social.[idéia-núcleo] Estudo e cultura tendem a aproximar os homens [idéia secundária], fazendo-os não só mais solidários [idéia secundária], como também mais preocupados com a evolução uniforme da sociedade [idéia secundária]. Assim, o equilíbrio dos direitos e a distribuição de renda proporcionam a ansiada igualdade [conclusão].
Tópico frasal
Todo parágrafo normalmente deve girar em torno de uma idéia principal: tópico frasal (TF). Essa idéia sintetiza o conteúdo do parágrafo, na medida em que expressa, de maneira sucinta, a informação mais relevante do mesmo. Ela orienta ou governa o resto do parágrafo. A partir do período-tópico nascem outros períodos secundários ou periféricos.
Nem todo parágrafo apresenta essa característica: algumas vezes a idéia-núcleo está como diluída nele ou já expressa num dos parágrafos precedentes.
O tópico frasal pode aparecer, quando explícito, em qualquer posição: início (posição mais recorrente nos textos de um modo geral), meio ou fim.
Tipos de tópico frasal
Há diversas possibilidades para começar um texto dissertativo, portanto há várias formas de organização de tópico-frasal.
a) declaração inicial: é a forma mais comum de começar um texto. Serve para fazer uma declaração forte, capaz de surpreender o leitor.
É um grave erro a liberação da maconha. Provocará de imediato violenta elevação do consumo. O Estado perderá o precário controle que ainda exerce sobre as drogas psicotrópicas e nossas instituições de recuperação de viciados não terão estrutura suficiente para atender à demanda.
b) definição: é uma forma simples e muito usada em parágrafos-chave, sobretudo em textos dissertativos. É método preferentemente didático.
O mito, entre os povos primitivos, é uma forma de se situar no mundo, isto é, de encontrar o seu lugar entre os demais seres da natureza. É um modo ingênuo, fantasioso, anterior a toda reflexão e não-crítico de estabelecer algumas verdades que não só explicam parte dos fenômenos naturais ou mesmo a construção cultural, mas que dão, também, as formas da ação humana.
c) divisão: ao dizer, abaixo, que há duas convicções errôneas, fica logo clara a direção que o parágrafo vai tomar. O autor terá de explicitá-las nas frases seguintes.
Predominam ainda no Brasil duas convicções errôneas sobre o problema da exclusão social: a de que ela deve ser enfrentada apenas pelo poder público e a de que sua superação envolve muitos recursos e esforços extraordinários. Experiências relatadas nesta Folha mostram que o combate à marginalidade social em Nova York vem contanto com intensivos esforços do poder público e ampla participação da iniciativa privada.
d) contraste: apresenta um tópico com elementos que formam uma oposição.
De um lado, professores mal pagos, desestimulados, esquecidos pelo governo. De outro, gastos excessivos com computadores, antenas parabólicas, aparelhos de videocassete. É este o paradoxo que vive hoje a educação no Brasil.
e) alusão histórica: o conhecimento dos principais fatos históricos ajuda a iniciar um texto. O leitor é situado no tempo e pode ter uma melhor dimensão do problema.
Após a queda do Muro de Berlim, acabaram-se os antagonismos leste-oeste e o mundo parece ter aberto as portas para a globalização. As fronteiras foram derrubadas e a economia entrou em rota acelerada de competição.
f) interrogação: a pergunta não é respondida de imediato. Ela serve para despertar a atenção do leitor para o tema e será respondida ao longo da argumentação.
Será que é com novos impostos que a saúde melhorará no Brasil? Os contribuintes já estão cansados de tirar dinheiro do bolso para tapar um buraco que parece não ter fim. A cada ano, somos lesados por novos impostos para alimentar um sistema que só parece piorar.
g) uma frase nominal seguida de explicação: a palavra tragédia é explicada logo depois, retomada por essa é a conclusão.
Uma tragédia. Essa é a conclusão da própria Secretaria de Avaliação e Informação Educacional do Ministério da Educação e Cultura sobre o desempenho dos alunos do 3º. Ano do 2º. Grau submetidos ao Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), que ainda avaliou estudantes da 4ª. série e da 8ª. série do 1º. Grau em todas as regiões do território nacional.
h) adjetivação: a adjetivação inicial será a base para desenvolver o tema. O autor dirá, nos parágrafos seguintes, por que acha a política educacional do governo equivocada e pouco racional.
Equivocada e pouco racional. Esta é a verdadeira adjetivação para a política educacional do governo.
i) citação: a citação inicial facilita a continuidade do texto, pois ela é retomada pela palavra comentário da segunda frase.
“As pessoas chegam ao ponto de uma criança morrer e os pais não chorarem mais, trazendo a criança, jogarem num bolo de mortos, virarem as costas e irem embora.” O comentário, do fotógrafo Sebastião Salgado, falando sobre o que viu em Ruanda, é um acicate no estado de letargia ética que domina algumas nações do Primeiro Mundo.
j) citação de forma indireta: esse recurso deve ser usado quando não sabemos textualmente a citação. É melhor citar de forma indireta que de forma errada.
Para Marx a religião é o ópio do povo. Raymond Aron deu o troco: o marxismo é o ópio dos intelectuais. Mas nos Estados Unidos o ópio do povo é mesmo ir às compras. Como as modas americanas são contagiosas, é bom ver de que se trata.
l) exposição de ponto de vista oposto: ao começar o texto com a opinião contrária, delineia-se, de imediato, qual a posição dos autores. Seu objetivo será refutar os argumentos do opositor, numa espécie de contra-argumentação.
O ministro da Educação se esforça para convencer de que o provão é fundamental para a melhoria da qualidade do ensino superior. Para isso, vem ocupando generosos espaços na mídia e fazendo milionária campanha publicitária, ensinando como gastar mal o dinheiro que deveria ser investido na educação.
m) comparação: para introduzir o tema da reforma agrária, o autor comparou a sociedade de hoje com a do final do século XIX, mostrando a semelhança de comportamento entre elas.
O tema da reforma agrária está presente há bastante tempo nas discussões sobre os problemas mais graves que afetam o Brasil. Numa comparação entre o movimento pela abolição da escravidão no Brasil, no final do século passado e, atualmente, o movimento pela reforma agrária, podemos perceber algumas semelhanças. Como na época da abolição da escravidão existiam elementos favoráveis e contrários a ela, também hoje há os que são a favor e os que contra a implantação da reforma agrária no Brasil.
n) retomada de um provérbio: sempre que se usa esse recurso, não se deve transcrevê-lo pura e simplesmente. É necessário fazer um comentário sobre ele para quebrar a idéia de lugar-comum que todos eles trazem. No exemplo abaixo, o autor diz “o corriqueiro adágio” e assim demonstra que está consciente de que está partindo de algo por demais conhecido.
O corriqueiro adágio de que pior cego é o que não quer ver se aplica com perfeição na análise sobre o atual estágio da mídia: desconhecer ou tentar ignorar os incríveis avanços tecnológicos de nossos dias, e supor que eles não terão reflexos profundos no futuro dos jornais é simplesmente impossível.
o) ilustração: há a possibilidade de começar narrando um fato para ilustrar o tema. A coesão do segundo parágrafo se faz de forma fácil: a palavra tema retoma a questão que vai ser discutida.
O Jornal do Comércio, de Manaus, publicou um anúncio em que uma jovem de dezoito anos, já mãe de duas filhas, dizia estar grávida mas não queria criança. Ela a entregaria a quem se dispusesse a pagar sua ligação de trompas. Preferia dar o filho a ter que fazer um aborto.
O tema (aborto) é tabu no Brasil.
p) seqüência de frases nominais: o que se deve observar nesse tipo de introdução são os paralelismos que dão equilíbrio às diversas frases nominais. A estrutura de cada frase deve ser semelhante.
Desabamento de shopping em Osasco. Morte de velhinhos numa clínica do Rio. Meia centena de mortes numa clínica de hemodiálise em Caruaru. Chacina de sem-terra em Eldorado dos Carajás.
Muitos meses já se passaram e esses fatos continuam impunes.
q) alusão a um romance, um conto, um poema, um filme: O resumo do filme A rainha Margot serve de introdução para desenvolver o tema da intolerância religiosa. A coesão com o segundo parágrafo dá-se através da palavra horror, que sintetiza o enredo do filme contado no parágrafo inicial.
Quem assistiu ao filme A rainha Margot, com a deslumbrante Isabelle Adjani, ainda deve ter os fatos vivos na memória. Na madrugada de 24 de agosto dde 15762, as tropas do rei de França, sob ordens de Catarina de Médicis, a rainha-mãe e verdadeira governante, desencadearam uma das mais tenebrosas carnificinas da História. (...)
Desse horror a História do Brasil está praticamente livre. (...)
r) descrição de um fato de forma cinematográfica: o parágrafo é desenvolvido porflashes, o que dá agilidade ao texto e prende a atenção do leitor. Depois desses dois parágrafos, o autor fala da origem do movimento “Reage São Paulo”.
Madrugada de 11 de agosto. Moema, bairro paulistano de classe média. Choperia Bodega – um bar da moda, freqüentado por jovens bem-nascidos.
s) omissão de dados identificadores: as duas primeiras frases criam no leitor certa expectativa em relação ao tema que se mantém em suspenso até a terceira frase. Pode-se também construir todo o primeiro parágrafo omitindo-se o tema, esclarecendo-o apenas em no parágrafo seguinte.
Mas o que significa, afinal, esta palavra, que virou bandeira da juventude? Com certeza não é algo que se refira somente à política ou às grandes decisões do Brasil e do mundo. Segundo Tarcísio Padilha, ética é um estudo filosófico da ação e da conduta humanas cujos valores provêm da própria natureza do homem e se adaptam às mudanças da história e da sociedade.
Obras consultadas:
FIGUEIREDO, Luiz Carlos. A redação pelo parágrafo. Brasília: UNB, 1999.
GARCIA, Othon M. Comunicação em prosa moderna. 2ª. ed. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1974.
LIMA, Bruno Cavalcanti e FERREIRA, Michelli Bastos. Redação I. Rio de Janeiro: UFRJ, 2º. semestre de 2005.
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